Confiar em nossas próprias associações

Diagrama: Jack Niland

Os princípios de dharma/arte são a arte de cada pessoa, na medida em que a arte (visual) emerge de uma linguagem primordial da mente e do cosmos, uma linguagem que é impossível não possuir e que se torna evidente mesmo no mais simples diagrama ou desenho, se soubermos como associar-nos com eles.

Em certo sentido, esses diagramas [acima] são pouco mais que rabiscos, mas do mesmo modo como é impossível não ter uma narrativa na escrita, é impossível não ter uma primordialidade ao rabiscar. Um ponto, como sabemos, é a expressão da mente e a primeira descoberta da mente, e uma linha pode ser nada mais do que a conexão de dois pontos ― uma unidade simples mais intrigante do que uma fita de Möbius, algo que não é nem um nem dois.

Jack [Niland] tem feito desenhos como o acima há décadas. O que poderia ser mais belo ou irresistível do que esse diagrama que combina ponto, círculo e quadrado? E realmente “funciona”, não apenas como algo que nos detém visualmente, como um yantra ou veículo para a meditação. Fiz essa tentativa e estas são as palavras que vieram a mim:

A respiração é extraída de todo o espaço, sendo este mais bem expresso pelo círculo. O fim da inspiração é um ponto, porque há claramente um fim, um ponto decisivo no qual a inspiração não é mais possível. Um ponto de não-existência. Com a expiração descobrimos o mundo, que é um tipo de ordem, as coisas ao nosso redor têm linhas e ângulos de noventa graus: prédios, linhas de telefone, árvores e o voo de um pássaro. Um quadrado deslocado 45 graus dentro de outro quadrado cria um espaço dinâmico, um espaço instilado de energia, um espaço em que muita coisa está acontecendo. Nossa inspiração traz a realização ― o círculo ― através do novo começo do ponto, que é também o retorno à simplicidade, tornando-se primordialmente fresco. Ou, como diz Thich Nhat Hanh, “ao inspirar sei que estou vivo, ao expirar rio de mim mesmo”.

Não é necessário que referenciemos continuamente o que fazemos aos “princípios de dharma/arte”, mas, em vez disso, podemos confiar em nossas próprias associações (do mesmo modo como não apenas confiei no que escrevi, mas descobri que aquilo me ajudou!). A mente associativa é a mente da poesia, do estudo dos sonhos e de dharma/arte. Na mente associativa, permitimos que as conexões do primeiro pensamento acerca de determinado tema sejam aceitas ― a única maneira de escrever um poema, a única maneira de compreender um sonho. Se aprendemos os princípios fundamentais (como os de pintar um thangka), podemos desenvolver precisão em nossa criatividade e aceitar todos os tipos de associação. Acuidade, e não indulgência, é outro ensinamento importante que Chögyam Trungpa nos deu sobre a arte.

Bill Scheffel, “Principles of dharma art”

No próximo domingo, 29 de maio, participe do primeiro Encontro D/A Online: “Dharma, arte e criatividade: o caminho de dharma/arte”, com Andy Karr. Saiba mais.

Posted on May 25th, 2011